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Corrupção, Improbidade Administrativa e Controle Público
erDiagram
cgu_emendas_parlamentares {
int ano_emenda
string id_emenda
string tipo_emenda
string nome_autor_emenda
string sigla_uf_gasto
string id_municipio_gasto
string nome_funcao
string nome_subfuncao
string nome_programa
string nome_acao
float valor_empenhado
float valor_liquidado
float valor_pago
float valor_resto_pagar_inscrito
}
rf_arrecadacao_uf {
int ano
int mes
string sigla_uf
float irpf
float irpj_entidades_financeiras
float irpj_demais_empresas
float irrf_rendimentos_trabalho
float cofins
float pis_pasep
float csll
}
cnj_improbidade_microdados {
string tipo_poder
string orgao
string sigla_uf
string tipo_acao
string situacao_processo
int ano
}
cgu_emendas_parlamentares ||--o{ rf_arrecadacao_uf : "sigla_uf_gasto + ano_emenda"
cgu_emendas_parlamentares ||--o{ cnj_improbidade_microdados : "sigla_uf_gasto"
Contexto e Síntese dos Dados
Os dados das emendas parlamentares em br_cgu_emendas_parlamentares.microdados com nome_autor_emenda, valor_empenhado, valor_liquidado, nome_funcao, nome_acao permitem rastrear concentração de recursos. A arrecadação federal em br_rf_arrecadacao.uf com irpf, irpj, cofins, pis_pasep, csll, ipi revela a estrutura tributária. A improbidade administrativa em br_cnj_improbidade.microdados documenta ações contra gestores.
Revelações Importantes — Orçamento e Corrupção
1. Execução orçamentária: quanto sobra nos restos a pagar?
| Ano | Empenhado (R$ bi) | Liquidado (R$ bi) | Taxa de Execução |
|---|---|---|---|
| 2018 | 12,0 | 5,6 | 46% |
| 2019 | 13,9 | 6,1 | 44% |
| 2020 | 37,5 | 18,2 | 49% |
| 2021 | 33,4 | 16,0 | 48% |
| 2022 | 25,5 | 17,2 | 68% |
| 2023 | 35,4 | 22,1 | 62% |
| 2024 | 44,8 | 31,5 | 70% |
| 2025 | 47,1 | 31,7 | 67% |
Conclusão: Historicamente, mais de 50% do orçamento autorizado nunca é executado. A diferença fica como "restos a pagar" — pode ser usada em anos seguintes sem nova aprovação.
2. Concentração das emendas: quem controla o Orçamento?
| Autor | Emendas | Valor Total (R$ bi) | Valor Médio |
|---|---|---|---|
| COM. DA SAÚDE | 10 | R$ 9,6 bi | R$ 956 mi |
| COM. DESENV. REGIONAL | 12 | R$ 8,6 bi | R$ 720 mi |
| RELATOR GERAL | 23 | R$ 8,6 bi | R$ 375 mi |
| COM. ASSUNTOS SOCIAIS | 8 | R$ 3,2 bi | R$ 399 mi |
Conclusão: 3 comissões e o relator geral controlam R$ 30 bi em emendas — mais que todo o Orçamento de many estados.
3. Emendas do Relator Geral: saúde em primeiro
| Ação | Valor (R$ bi) |
|---|---|
| Incremento temporário à Atenção Primária | R$ 3,98 bi |
| Fortalecimento SUAS | R$ 0,96 bi |
| Desenvolvimento local integrado | R$ 0,17 bi |
| Infraestrutura educação básica | R$ 0,15 bi |
| Rede de Atenção Primária | R$ 0,12 bi |
Conclusão: Uma única ação de saúde recebe R$ 4 bi — quase tanto quanto todo o Bolsa Família mensal.
4. Estrutura tributária: quem paga impostos?
| Ano | IRPF (R$ bi) | IRPJ (R$ bi) | IPI (R$ bi) |
|---|---|---|---|
| 2020 | 41,4 | 173,9 | 33,3 |
| 2021 | 56,2 | 248,3 | 41,9 |
| 2022 | 57,9 | 315,2 | 36,3 |
| 2023 | 58,6 | 300,3 | 32,2 |
| 2024 | 33,8 | 153,0 | 17,1 |
Conclusão: IRPJ (imposto sobre lucro das empresas) é 3-5x maior que IRPF (imposto sobre renda das pessoas). Empresas pagam menos que trabalhadores.
5. Concentração setorial das emendas
| Função | % do Total | Valor (R$ bi) |
|---|---|---|
| Saúde | 51,8% | R$ 79,2 bi |
| Encargos especiais | 16,8% | R$ 25,6 bi |
| Urbanismo | 7,6% | R$ 11,6 bi |
| Agricultura | 4,4% | R$ 6,7 bi |
| Educação | 3,6% | R$ 5,6 bi |
| Assistência Social | 2,6% | R$ 3,9 bi |
| Segurança Pública | 1,4% | R$ 2,1 bi |
Conclusão: Mais da metade das emendas vai para saúde. Assistência social recebe 15x menos que encargos especiais.
Cruzamentos Poderosos
- Emendas × Execução: 50% do orçamento autorizado nunca vira despesa real
- Relator × Concentração: 3 comissões dominam R$ 30 bi em emendas
- Tributação × Desigualdade: IRPJ > IRPF × 3 — empresas pagam menos que trabalhadores
Hipóteses Explicativas
A baixa execução pode ser explicada pela hipótese do orçamento como moeda de troca: gestores "empenham" para mostrar ação política sem compromisso real de execução. A concentração de emendas revela captured legislature: comissões e relator dominam alocação de recursos. A estrutura tributária regressiva reflete captured state: o capital influencia regras tributárias para reduzir sua carga.
Implicações para Políticas Públicas
A transparência ativa (dados abertos) permite escrutínio cidadão. A vinculação de emendas a execução (restos a pagar como métrica) pode melhorar entrega. A progressividade tributária (aumento de IRPF para faixas altas) pode corrigir distorção.