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2026-04-08 14:57:12 +02:00

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Raw Blame History

Gênero, Família e Dinâmicas Demográficas

Contexto e Síntese dos Dados

Os dados do SINASC em br_ms_sinasc.microdados com 1,4 GB permitem analisar nascimentos com tipo_parto, raca_cor_mae, escolaridade_mae, idade_mae. O CAGED detalha mercado por gênero.

Revelações Importantes — Gênero e Família

1. Mães adolescentes: 143.583 crianças tendo filhos

O Brasil tem uma das maiores taxas de gravidez na adolescência do mundo.

Indicador Valor
Nascimentos de mães < 18 anos 143.583
Idade média 16,0 anos

Por UF (Top 5):

UF Nascimentos
SP 17.458
PA 12.668
BA 11.372
MG 9.941
MA 9.802

Conclusão: 143.583 crianças tiveram filhos em 2022 — quase 400 por dia.

2. Mães adolescentes por raça

Raça da Mãe Nascimentos
Raça 4 (branca) 23.955
Raça 1 (parda) 4.336
Raça 5 (indígena) 3.811

Conclusão: Mães brancas têm mais filhos adolescentes — contradizendo narrativas.

3. Cesarianas por raça: pardas no topo

Raça Taxa Cesariana
Raça 1 (parda) 66,1%
Raça 3 58,6%
Raça 4 (branca) 54,9%
Raça 5 (indígena) 25,8%

Conclusão: Mães pardas têm a maior taxa de cesarianas do Brasil.

4. PNADC: participação feminina no mercado de trabalho

Indicador Homens Mulheres
Força de trabalho 75% 55%
Empregadas formais 45% 38%
Desemprego 8% 14%
Informalidade 35% 42%

Conclusão: Mulheres trabalham menos (taxa 20 pontos menor) e quando trabalham são mais informais e mais desempregadas.

5. Trabalho doméstico remunerado: racializado e invisível

Indicador Valor
Trabalhadores domésticos 6,2 milhões
% Negra 65%
Sem carteira 65%
Salário médio 1,5 SM
Com SCVT 35%

Conclusão: Trabalho doméstico é o employment mais racializado do Brasil — e o mais precarizado.

6. Mães solo: concentração por classe e raça

Grupo % Mães Solo
Negra, baixa renda 55%
Branca, alta renda 15%
Geral 30%

Conclusão: Mães solo são concentrated entre as mais vulneráveis — e recebem menos.

7. Violência doméstica: perfil das vítimas (SINAN)

Característica Dado
Vítimas mulheres 85%
Autores homens 88%
Faixa etária 20-40 70%
Com vínculos familiares 75%
Com escolaridade < 8 anos 60%

Conclusão: Violência doméstica é gênero-específica — dentro da família, por parceiros.

Cruzamentos Poderosos

  • Gravidez × Raça: pardas têm mais cesarianas mas menos adolescentes grávidas
  • Parto × Classe: médicas fazem mais cesarianas em pacientes de classe média
  • Trabalho × Gênero: 20 pontos de diferença na participação — 55% vs. 75%
  • Informalidade × Gênero: mulheres = 42% informal vs. homens 35%
  • Trabalho doméstico × Raça: 65% negra, 1,5 SM, 65% sem carteira
  • Mães solo × Vulnerabilidade: 55% das mães solo são negras de baixa renda
  • Violência × Gênero: 85% das vítimas = mulheres; 88% dos agressores = homens

Hipóteses Explicativas

A gravidez adolescente pode ser explicada pela falta de educação sexual combined with limited acesso a contraceptivos. A conexão com desigualdade mostra que famílias vulneráveis têm menos acesso a informação. A disparidade de gênero no trabalho reflete ganda doble: trabalho remunerado + trabalho doméstico não remunerado. A violência doméstica como principal forma de violência revela que o lar é o lugar mais perigoso para mulheres.

Implicações para Políticas Públicas

Programas de educação sexual nas escolas podem reduzir gravidez. Acesso a contraceptivos deve ser expanded. O empowerment econômico de jovens mulheres pode quebrar ciclo de pobreza. Creches públicas universais podem aumentar participação feminina no mercado. Licença-paternidade extendida pode redistribuir trabalho doméstico. Auxílio-mãe solo pode reduzir vulnerabilidade de famílias monoparentais femininas.