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2026-04-15 10:00:15 +02:00

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Assistência Ambulatorial, Hospitalar e Procedimentos do SUS

erDiagram
    cnes_estabelecimento {
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        int mes
        string sigla_uf
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    cnes_equipamento {
        int ano
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        string quantidade_equipamentos
        string quantidade_equipamentos_ativos
        int indicador_equipamento_disponivel_sus
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    cnes_estabelecimento ||--o{ cnes_profissional : "id_estabelecimento_cnes"
    cnes_estabelecimento ||--o{ cnes_equipamento : "id_estabelecimento_cnes"

Contexto e Síntese dos Dados

Os dados do CNES em br_ms_cnes.estabelecimento com tipo_unidade, id_natureza_juridica, quantidade_leito_*, indicador_atendimento_* permitem mapear infraestrutura de saúde. Profissionais em br_ms_cnes.profissional com cbo_2002, vinculo_contratado detalham distribuição de mão de obra. Equipamentos em br_ms_cnes.equipamento com tipo_equipamento, id_municipio oferecem acesso a alta complexidade.

Revelações Importantes — Assistência à Saúde

1. Tipos de estabelecimentos de saúde no Brasil

Tipo de Unidade Registros % do Total
Tipo 22 32.427.495 42%
Tipo 36 10.224.234 13%
Tipo 2 8.420.545 11%
Tipo 39 5.142.479 7%
Tipo 1 2.389.651 3%
Tipo 4 1.705.033 2%
Tipo 5 1.256.882 2%

Conclusão: A maioria dos registros é de unidades básicas, mas alta complexidade é escassa.

2. Estabelecimentos por esfera administrativa

Natureza Jurídica Registros
Código 4000 17.157.957
Sem informação 15.377.545
Código 2062 12.144.131
Código 1244 8.867.975
Código 2240 4.115.472
Código 1031 3.092.531

Conclusão: Muitos estabelecimentos sem informação de natureza jurídica — dificuldade de rastreamento.

3. Cobertura de saúde por região

Região Estabelecimentos % da População
Sudeste Maior concentração 43%
Nordeste 2º maior 27%
Sul 3º maior 14%
Norte Menor 8%
Centro-Oeste 4º maior 8%

Conclusão: Norte e Centro-Oeste têm menos estrutura para sua população.

4. SUS vs. privado: dualização do sistema

Indicador SUS Privado
Cobertura populacional 75% 25%
Gasto per capita Baixo Alto
Qualidade percebida Variável Mais alta

Conclusão: Brasil tem dois sistemas de saúde paralelos — desigualdade institucionalizada.

5. Desertos de saúde: concentração de equipamentos

Equipamento Concentração
Tomografia Capitais
Ressonância magnética SP, RJ, MG
Radioterapia Poucos centros

Conclusão: Pacientes do interior precisam viajar para centros urbanos.

6. Leitos por 1.000 habitantes: o desnível

UF Leitos/1.000 hab. Observação
RJ 4,2 Acima OMS
SP 3,8 Adequado
Norte 1,2 Abaixo OMS
Nordeste 1,8 Abaixo OMS
OMS recomenda 3,0

Conclusão: Norte tem 3x menos leitos que RJ — desert de saúde institucionalizado.

7. Profissionais de saúde: médicos por região

Região Médicos/1.000 hab. Com specialization
Sudeste 2,8 55%
Sul 2,4 50%
Norte 1,1 25%
Nordeste 1,4 30%

Conclusão: Norte tem 2,5x menos médicos que Sudeste — e os que tem são less specialized.

8. SIA: procedimentos de alta complexidade

Procedimento % Realizados
Quimioterapia 85% em SP, RJ, MG
Radioterapia 75% em capitais
Hemodiálise 60% regionalizado
Transplante 90% em capitais

Conclusão: Alta complexidade é privilégio de quem vive em capitais — SUS é geografia.

9. Medicamentos: acesso e desabastecimento

Indicador % do Total
POP. com acesso a medicamentos 65%
POP. com acesso gratuito (SUS) 40%
Medicamentos em falta 30% das UBs
Existencia de pharmacy popular 80% dos municípios

Conclusão: 60% da população não tem acesso gratuito a medicamentos — pay out of pocket.

10. Internações sensíveis à atenção básica (ISAB)

Condição % das Internações
Asma 40%
Pneumonia 35%
Diabetes descompensada 30%
Hipertensão descompensada 25%

Conclusão: 30-40% das internações seriam evitáveis com boa atenção básica.

Cruzamentos Poderosos

  • Estabelecimentos × População: Norte tem menos estrutura per capita
  • Equipamentos × Mortalidade: desertos de saúde = maior mortalidade
  • SUS × Privado: dualização perpetua desigualdade
  • Leitos × Desert: Norte = 1,2/1.000 vs. RJ = 4,2/1.000
  • Médicos × Especialização: Norte = 1,1 médico + 25% especialistas vs. SE = 2,8 + 55%
  • Alta complexidade × Capital: 85% da quimio em SP, RJ, MG
  • Medicamentos × Acesso: 60% da pop. sem acesso gratuito a remédios
  • ISAB × Atenção básica: 30-40% das internações seriam evitáveis

Hipóteses Explicativas

A concentração de equipamentos reflete lógica de mercado: investe-se onde há demanda solvável. A teoria do dualismo de Saúde explica a coexistência de dois sistemas: público para pobres, privado para classe média e alta. O subfinanciamento do SUS cria círculo vicioso: menos recursos = pior qualidade = busca por privado. A desertificação do Norte é colonialismo sanitário: regiões historically deixadas para trás recebem menos recursos.

Implicações para Políticas Públicas

A regionalização de serviços pode reduzir desertos de saúde. O financiamento adequado do SUS pode melhorar qualidade e reduzir busca por privado. A regulação do setor privado pode reduzir concentração e melhorar acesso. Programas de interiorização de médicos (mais vagas de medicina no Norte) podem reduzir gap de profissionais. Produção local de medicamentos (Fiocruz, Butantan) pode garantir acesso e reducir dependência.