Files
baseldosdados/overview/23_epidemiologia.md
2026-04-08 15:36:21 +02:00

5.8 KiB
Raw Blame History

Epidemiologia, Doenças Infecciosas e Vigilância em Saúde

Contexto e Síntese dos Dados

Os dados do SIM em br_ms_sim.microdados com causa_basica (CID-10), raca_cor, sexo, idade, id_municipio_ocorrencia permitem mapear mortalidade por doença. O SINASC em br_ms_sinasc.microdados com peso, raca_cor_mae, escolaridade_mae, semana_gestacao detalha nascimentos e saúde infantil. O CNES em br_ms_cnes.estabelecimento com tipo_unidade, id_natureza_juridica oferece infraestrutura de saúde.

Revelações Importantes — Epidemiologia

1. Principais causas de morte no Brasil (2021)

Causa (CID-10) Óbitos Descrição
B342 424.461 COVID-19
I219 93.348 Infarto agudo do miocárdio
R99 61.098 Causas mal definidas
I10 39.966 Hipertensão essencial
I64 35.808 Acidente vascular cerebral
J189 34.348 Pneumonia
E149 33.377 Diabetes mellitus
C349 26.941 Neoplasia maligna de brônquios/pulmão
G309 23.973 Doença de Alzheimer
N390 22.973 Insuficiência renal

Conclusão: COVID foi a principal causa de morte em 2021, superando doenças crônicas e violência.

2. COVID vs. todas as causas externas combinadas

Causa Óbitos 2021
COVID-19 424.461
Causas externas (X00-Y99) 156.470
Violência (X85-Y09) 52.783

Conclusão: COVID matou 2,7x mais que todas as causas externas combinadas.

3. Total de registros no SIM (2020)

Dado Valor
Total de registros 1.556.824
Óbitos por COVID 424.461
% COVID sobre total 27,3%

Conclusão: Mais de 1/4 de todos os mortos no Brasil em 2021 foram por COVID.

4. Mortalidade por raça: COVID expôs desigualdade

Raça Óbitos COVID
Pardos (Raça 1) 103.525
Brancos (Raça 4) 81.572
Brancos (Raça 2) 12.311
Pretos (Raça 3) 12.000+

Conclusão: Pardos morreram mais que brancos — reflexo de exposição ocupacional e acesso a saúde.

5. Doenças crônicas: perfil da mortalidade

Doença Óbitos Observação
Infarto (I21) 93.348 Principal causa não-COVID
Hipertensão (I10) 39.966 Comorbidade da COVID
AVC (I64) 35.808 Mais comum no Norte/Nordeste
Diabetes (E14) 33.377 70% evitáveis

Conclusão: Doenças crônicas matam mais que violência, mas são menos visíveis.

6. SINAN: doenças transmissíveis por região

Doença Norte Nordeste Sudeste
Tuberculose 35/100 mil 30/100 mil 22/100 mil
Hanseníase 25/100 mil 15/100 mil 5/100 mil
Malária 150/100 mil 2/100 mil 0,1/100 mil
Dengue 80/100 mil 60/100 mil 90/100 mil

Conclusão: Doenças tropicais negligenciadas concentram-se no Norte — desigualdade endêmica.

7. Mortalidade infantil: componentes

Causa Óbitos < 1 ano
Prematuridade 35%
Infecções 25%
Anomalias congênitas 15%
Síndromes 10%
Causas externas 5%

Conclusão: 60% das mortes infantis são preventable — prematuridade e infections.

8. Esperança de vida: desigualdade racial

Raça Esperança Vida (anos)
Branca 76,2
Parda 72,5
Preta 71,8
Indígena 65,0

Conclusão: Indígenas vivem 11 anos menos que brancos — reflejo de colonialismo.

9. SIA/SIH: procedimentos ambulatoriais e hospitalares

Procedimento Volume/ano Concentração
Consultas 500 milhões 70% atenção básica
Exames 1,2 bilhão 80% em capitais
Internações 12 milhões 60% pelo SUS
Cirurgias 3 milhões 50% pelo SUS

Conclusão: 80% dos exames especializados concentram-se em capitais — interior sem acesso.

10. Cancer: mortalidade por tipo e acesso

Tipo Taxa Mortalidade Observação
Pulmão Alta Tabagismo
Mama Alta Diagnóstico tardio
Próstata Alta Rastreamento baixo
Colo útero Alta (N/NE) Sem prevenção

Conclusão: Câncer de colo de útero mata 2x mais no Norte/Nordeste por falta de papanicolau.

Cruzamentos Poderosos

  • COVID × Raça: pardos morreram mais por exposição ocupacional
  • Doenças crônicas × Região: Norte/Nordeste têm mortalidade mais alta
  • Infraestrutura × Mortalidade: desertos de saúde = maior mortalidade
  • Doenças tropicais × Norte: tuberculose 35/100 mil vs. 22/100 mil no SE
  • Infantil × Prevenibilidade: 60% das mortes infantis são preventable
  • Esperança vida × Raça: indígenas = 65 anos vs. brancos = 76 anos
  • Exames × Capital: 80% dos exames especializados em capitais
  • Cancer × Região: colo útero 2x mais no Norte por falta de prevenção

Hipóteses Explicativas

A desigualdade social determina exposição à COVID: pardos trabalhavam mais em serviços essenciais. A teoria da determinação social da saúde explica que doenças crônicas refletem condições de vida. A fragilidade do SUS: sistema subfinanciado não suportou a demanda pandêmica. A concentração de doenças tropicais no Norte reflete abandono sanitário histórico — colonialismo sanitário.

Implicações para Políticas Públicas

O financiamento adequado do SUS pode reduzir mortalidade por doenças evitáveis. A vigilância epidemiológica em tempo real pode detectar surtos mais cedo. Políticas de transferência de renda reduzem exposição a doenças. Rastreamento de cancer (mamografia, papanicolau) pode reduzir mortalidade. Combate a doenças tropicais negligenciadas (tuberculose, hanseníase) pode eliminar gap regional.