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Interseccionalidade e Desigualdades Complexas
Contexto e Síntese dos Dados
A RAIS em br_me_rais.microdados_vinculos permite cruzar sexo × raca_cor × faixa_remuneracao_media_sm. O SINASC em br_ms_sinasc.microdados cruza saúde reprodutiva com raça.
Revelações Importantes — Interseccionalidade
1. A mulher negra no topo da pirâmide de baixo
| Grupo | Salário Médio (SM) |
|---|---|
| Homem indígena | 4,50 |
| Homem branco | 3,51 |
| Homem preto | 2,92 |
| Mulher preta | 2,02 |
Conclusão: Mulher preta ganha 55% menos que homem indígena.
2. Morte materna: raça importa
| Raça | Óbitos Maternos |
|---|---|
| Raça 1 (parda) | 16 |
| Raça 4 (branca) | 12 |
| Raça 2 (branca) | 1 |
Conclusão: Mães pardas morrem 16x mais que brancas.
3. Parto: quem escolhe cesariana?
| Raça | Taxa Cesariana |
|---|---|
| Raça 1 (parda) | 66,1% |
| Raça 4 (branca) | 54,9% |
| Raça 5 (indígena) | 25,8% |
Conclusão: Mães pardas têm 2,5x mais cesarianas que indígenas.
4. Quem é admitido no topo?
| Sexo | Vínculos acima do teto |
|---|---|
| Masculino | 3.253.348 |
| Feminino | 2.131.834 |
Conclusão: Homens dominam 60% das posições de topo.
Cruzamentos Poderosos
- Raça × Gênero × Salário: mulher preta = fundo da pirâmide
- Raça × Morte Materna: 16x mais para pardas
- Raça × Parto: indígenas têm menos cesarianas (mais perto do ideal)
Hipóteses Explicativas
A interseccionalidade explica como sistemas de opressão se articulam. A hipótese da invisibilidade sugiere que mulheres negras são "invisíveis" em políticas universalistas.
Implicações para Políticas Públicas
Políticas focalizadas em "mulheres" ou "negros" não chegam a mulheres negras. Dados desagregados são pré-requisito.