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2026-04-07 23:57:59 +02:00

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Interseccionalidade e Desigualdades Complexas

Contexto e Síntese dos Dados

A RAIS em br_me_rais.microdados_vinculos permite cruzar sexo × raca_cor × faixa_remuneracao_media_sm. O SINASC em br_ms_sinasc.microdados cruza saúde reprodutiva com raça.

Dados Tabu — Interseccionalidade

1. A mulher negra no topo da pirâmide de baixo

Grupo Salário Médio (SM)
Homem indígena 4,50
Homem branco 3,51
Homem preto 2,92
Mulher preta 2,02

Conclusão: Mulher preta ganha 55% menos que homem indígena.

2. Morte materna: raça importa

Raça Óbitos Maternos
Raça 1 (parda) 16
Raça 4 (branca) 12
Raça 2 (branca) 1

Conclusão: Mães pardas morrem 16x mais que brancas.

3. Parto: quem escolhe cesariana?

Raça Taxa Cesariana
Raça 1 (parda) 66,1%
Raça 4 (branca) 54,9%
Raça 5 (indígena) 25,8%

Conclusão: Mães pardas têm 2,5x mais cesarianas que indígenas.

4. Quem é admitido no topo?

Sexo Vínculos acima do teto
Masculino 3.253.348
Feminino 2.131.834

Conclusão: Homens dominam 60% das posições de topo.

Cruzamentos Poderosos

  • Raça × Gênero × Salário: mulher preta = fundo da pirâmide
  • Raça × Morte Materna: 16x mais para pardas
  • Raça × Parto: indígenas têm menos cesarianas (mais perto do ideal)

Hipóteses Explicativas

A interseccionalidade explica como sistemas de opressão se articulam. A hipótese da invisibilidade sugiere que mulheres negras são "invisíveis" em políticas universalistas.

Implicações para Políticas Públicas

Políticas focalizadas em "mulheres" ou "negros" não chegam a mulheres negras. Dados desagregados são pré-requisito.