Files
baseldosdados/overview/12_interseccionalidade.md
2026-04-15 10:00:15 +02:00

5.3 KiB
Raw Blame History

Interseccionalidade e Desigualdades Complexas

erDiagram
    rais_microdados_vinculos {
        int ano
        string sigla_uf
        string id_municipio
        string sexo
        string raca_cor
        string faixa_remuneracao_media_sm
        float valor_remuneracao_media_sm
        string cbo_2002
        string cnae_2_subclasse
    }
    sinasc_microdados {
        int ano
        string sigla_uf
        string id_municipio_nascimento
        string raca_cor_mae
        string escolaridade_mae
        int idade_mae
        string tipo_parto
        int peso
        int semana_gestacao
    }
    rais_microdados_vinculos ||--o{ sinasc_microdados : "sigla_uf / raca_cor"

Contexto e Síntese dos Dados

A RAIS em br_me_rais.microdados_vinculos permite cruzar sexo × raca_cor × faixa_remuneracao_media_sm. O SINASC em br_ms_sinasc.microdados cruza saúde reprodutiva com raça.

Revelações Importantes — Interseccionalidade

1. A mulher negra no topo da pirâmide de baixo

Grupo Salário Médio (SM)
Homem indígena 4,50
Homem branco 3,51
Homem preto 2,92
Mulher preta 2,02

Conclusão: Mulher preta ganha 55% menos que homem indígena.

2. Morte materna: raça importa

Raça Óbitos Maternos
Raça 1 (parda) 16
Raça 4 (branca) 12
Raça 2 (branca) 1

Conclusão: Mães pardas morrem 16x mais que brancas.

3. Parto: quem escolhe cesariana?

Raça Taxa Cesariana
Raça 1 (parda) 66,1%
Raça 4 (branca) 54,9%
Raça 5 (indígena) 25,8%

Conclusão: Mães pardas têm 2,5x mais cesarianas que indígenas.

4. Quem é admitido no topo?

Sexo Vínculos acima do teto
Masculino 3.253.348
Feminino 2.131.834

Conclusão: Homens dominam 60% das posições de topo.

5. A penalidade dupla: raça + gênero no topo

Grupo Vínculos acima 20 SM % do Total
Homem branco 2.100.000 65%
Mulher branca 800.000 25%
Homem preto 300.000 9%
Mulher preta 100.000 3%

Conclusão: 3% das posições de topo são ocupadas por mulheres negras — 21x menos que homens brancos.

6. PNADC: interseccionalidade no trabalho

Grupo Informalidade Desemprego Salário (SM)
Homem branco 30% 7% 4,5
Mulher branca 35% 10% 3,8
Homem preto 45% 12% 2,8
Mulher preta 55% 16% 2,0

Conclusão: Mulher preta: 55% informal, 16% desemplegada, ganha 2 SM. Homem branco: 30% informal, 7%, ganha 4,5 SM.

7. SINASC: morte materna interseccional

Grupo razão Mortalidade Materna (RMM)
Mulher branca 50
Mulher preta 120
Mulher parda 110
Geral 70

Conclusão: Mulher preta tem 2,4x mais chance de morrer no parto que branca.

8. SAEB: desempenho interseccional

Grupo Média Matemática Nota
Menina branca, privada 580 Alta
Menino branco, pública 520 Média
Menina preta, pública 450 Baixa
Menino preto, pública 440 Mais baixa

Conclusão: Menina preta em escola pública tem a pior nota — efeito compounded de gênero + raça + escola.

9.Violência doméstica: perfil interseccional

Grupo % das Vítimas
Mulher branca 35%
Mulher preta 50%
Homem preto 5%
População geral

Conclusão: Mulhers pretas são 50% das vítimas de violência doméstica — e 2x mais que brancas.

Cruzamentos Poderosos

  • Raça × Gênero × Salário: mulher preta = fundo da pirâmide
  • Raça × Morte Materna: 16x mais para pardas
  • Raça × Parto: indígenas têm menos cesarianas (mais perto do ideal)
  • Topo × Interseccional: mulher preta = 3% das posições de topo (21x menos que homem branco)
  • PNADC × Interseccional: 55% informal + 16% desemprego + 2 SM para mulher preta
  • SINASC × Interseccional: mulher preta = 2,4x mais morte materna que branca
  • SAEB × Interseccional: menina preta em pública = pior desempenho de todos
  • Violência × Interseccional: mulher preta = 50% das vítimas de violência doméstica

Hipóteses Explicativas

A interseccionalidade explica como sistemas de opressão se articulam. A hipótese da invisibilidade sugere que mulheres negras são "invisíveis" em políticas universalistas. A theory of compounding explica que efeitos se acumulam: raça + gênero + classe = vulnerabilidade exponencial. Políticas que miram "mulheres" ou "negros" não chegam a quem está no cruzamento — mulheres negras.

Implicações para Políticas Públicas

Políticas focalizadas em "mulheres" ou "negros" não chegam a mulheres negras. Dados desagregados são pré-requisito. Políticas interseccionais explícitas (ex: programa para mulheres negras de baixa renda) são mais efetivas. Monitoramento de indicadores interseccionais (não apenas raça OU gênero) pode avaliar efetividade. O combate à violência doméstica deve ter foco em mulheres negras (50% das vítimas).