# Crimes Ambientais **4.823 artigos** (tema principal) | **9.080 menções totais** | período 2003–2015 | abrangência: principalmente Nacional (65%), seguida por Estadual (24,7%) e Internacional (10,3%) A cobertura de crimes ambientais documenta a face mais sombria da relação entre sociedade e natureza no Brasil. O desmatamento ilegal na Amazônia é o crime mais reportado, com operações de grande escala como Curupira e Arco de Fogo mobilizando a Polícia Federal e o Ibama. O SIVAM detectava 85 aviões com voo irregular a cada mês, muitos deles envolvidos em garimpo e extração madeireira clandestina. A sofisticação das quadrilhas impressiona: madeira roubada em Rondônia e Amazonas era exportada com "notas frias" emitidas no Acre, e desfolhantes químicos foram empregados para acelerar o desmate no norte do Mato Grosso. A corrupção de servidores ambientais constitui um achado significativo da cobertura. Funcionários do Ibama foram acusados de conivência com madeireiras, e a Polícia investigou servidores de Ilhabela por crimes contra a administração ambiental. Esses casos revelam a vulnerabilidade institucional dos órgãos de fiscalização diante de esquemas que envolvem propinas e falsificação de documentos fundiários para grilagem de terras públicas. O tráfico de animais silvestres e a pesca predatória — com uso de sonares e redes de alta precisão no rio Uruguai — completam o tripé dos crimes contra a fauna. A biopirataria de recursos genéticos aparece como crime de difícil fiscalização e alto valor estratégico. Incêndios florestais criminosos, frequentemente associados à limpeza de pastagens e especulação fundiária, agravam o quadro. ### Empresas e organizações O caso mais documentado envolvendo uma empresa neste tema é o da **Syngenta** (87 menções). A empresa multinacional de agroquímicos e sementes transgênicas operava uma fazenda experimental de transgênicos no Paraná dentro da área de proteção ambiental de Foz do Iguaçu, em desrespeito à legislação. O Ibama a multou repetidamente e ela não entregou documentos requeridos pelo órgão. Em outubro de 2007, um confronto entre trabalhadores sem-terra do MST e seguranças contratados pela Syngenta resultou na morte de Valmir Mota de Oliveira ("Keno") e ferimentos em outros trabalhadores. A Anistia Internacional pediu providências, o MST denunciou os crimes da empresa no Brasil, e seis pessoas tiveram prisão decretada. Em 2008, a Syngenta doou a área contestada ao governo do Paraná. Dois anos após o crime, o caso permanecia impune. Madeireiras sem nome próprio dominam os crimes florestais, mas o padrão identificado pela cobertura é sistemático: empresas de fachada registradas no Acre emitiam documentos para legalizar madeira extraída ilegalmente em Rondônia e Amazonas. A **Vale** (ex-CVRD) aparece associada ao transporte de gusa irregular do Pará em sua ferrovia de Carajás, financiada pelo BNDES — conectando uma empresa legalmente constituída a cadeias de produção que a cobertura classifica como irregulares. O MST chegou a ocupar a Estrada de Ferro Carajás em protesto contra a Vale. O desmatamento na fronteira agrícola aparece associado a grandes fazendeiros e grupos de especulação fundiária que contratam "pistoleiros" e usam violência contra trabalhadores rurais sem-terra e lideranças indígenas, em um padrão que conecta crimes ambientais a violações de direitos humanos. ### Títulos representativos - "Syngenta faz plantio ilegal de transgênicos e ignora multa do Ibama" - "Conflito entre agricultores e Syngenta revela a violência da luta contra indústrias de biotecnologia" - "Anistia Internacional pede providências pela morte de Sem Terra na Syngenta" - "Decretada prisão de seis pelo confronto na fazenda da Syngenta" - "BNDES financia ferrovia da Vale que transporta gusa irregular do Pará" - "Madeira roubada em Rondônia e Amazonas é exportada com nota do Acre" - "SIVAM detecta 85 aviões com voo irregular a cada mês"